Após o encalhe e morte de um filhote de baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) registrado neste sábado (06) na praia de Grussaí, em São João da Barra, o Instituto BW e o GEMM-Lagos (Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos) divulgaram uma nota explicando as circunstâncias do caso.
Segundo os especialistas, o animal media 3,9 metros e tinha nascido nesta temporada reprodutiva, o que o classificava como recém-nascido. Mesmo com o auxílio da população local e da equipe de resgate, o filhote não resistiu.
De acordo com o professor Salvatore Siciliano, encalhes dessa natureza estão ligados ao ciclo migratório das jubartes, que buscam águas quentes do litoral brasileiro para parir e proteger seus filhotes. “Esse filhote provavelmente nasceu nesta temporada. Caso tivesse sobrevivido, no próximo ano já estaria com cerca de nove metros de comprimento e pronto para seguir viagem de forma independente”, explicou.
A médica veterinária Paula Baldassin, do Instituto BW, destacou que a necropsia será realizada e permitirá identificar as causas da morte, fornecendo informações importantes para pesquisas e ações de preservação da espécie.
O que a população precisa saber
Encalhes de baleias e golfinhos podem ocorrer por causas naturais, como doenças ou fragilidade dos filhotes, mas também por impactos humanos, como poluição e tráfego de embarcações.
Nunca se deve tentar devolver o animal ao mar sem orientação técnica. O correto é acionar imediatamente o número 0800 991 4800, que direciona para a equipe responsável pelo atendimento.
A mobilização da população de Grussaí, que ajudou a manter o filhote hidratado até a chegada das equipes, foi destacada como um gesto de solidariedade e cuidado com a vida marinha.
Atualmente, a população de jubartes no Brasil ultrapassa 25 mil indivíduos, um número animador se comparado aos anos 1970, quando a caça predatória reduziu os registros a menos de 1.500.
