SJB pode perder até 85% dos royalties e reduzir drasticamente investimentos



A queda na arrecadação de royalties de São João da Barra pode chegar a até 85% dos valores atualmente previstos. É o que aponta um estudo de impacto realizado pela Prefeitura, que acende um forte sinal de alerta caso o Supremo Tribunal Federal (STF) valide a redistribuição dos royalties do petróleo.


Se isso ocorrer, a administração municipal prevê uma redução drástica nos investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação, além de impactos severos em programas sociais, transporte gratuito, bolsas universitárias e diversas obras de infraestrutura.


O julgamento no STF está marcado para o dia 6 de maio de 2026 e pode redefinir completamente a forma de distribuição desses recursos em todo o país, trazendo consequências diretas para a população.


Na prática, a possível redução comprometeria profundamente a capacidade do município de manter serviços essenciais. Isso significaria menos investimentos em saúde e educação, além de impactos imediatos na realização de exames médicos, na aquisição de medicamentos, no auxílio aluguel social, no transporte público gratuito, no transporte universitário, nas bolsas de estudo e em obras de infraestrutura.


Dados técnicos reforçam a gravidade do cenário. Atualmente, cerca de 34,4% da receita de São João da Barra depende diretamente dos royalties do petróleo, o que demonstra o quanto esses recursos são fundamentais para o funcionamento do município. Em toda a região Norte Fluminense, a realidade é semelhante, com cidades altamente dependentes dessas receitas para manter o equilíbrio fiscal e a prestação de serviços básicos.


Estudos da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) indicam que municípios produtores podem sofrer perdas superiores a 70% em suas receitas, enquanto o Estado do Rio de Janeiro pode registrar redução de aproximadamente 40% nas participações governamentais ligadas ao petróleo.


A prefeita de São João da Barra, Carla Caputi, que esteve recentemente em reunião com o governador em exercício e presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, ao lado de outros prefeitos da região, destacou a gravidade do momento:


“Estamos falando de uma decisão que pode mudar completamente a realidade de municípios inteiros. Em São João da Barra, uma perda dessa magnitude comprometeria diretamente serviços essenciais à população. Não é apenas uma questão financeira, é uma questão social. São famílias que dependem desses investimentos. É uma preocupação muito grande e estamos totalmente mobilizados para defender os direitos da nossa população.”


A discussão no STF gira em torno da constitucionalidade da Lei nº 12.734/2012, que propõe a redistribuição dos royalties, ampliando a participação de estados e municípios não produtores. Desde 2013, essa mudança está suspensa por decisão liminar, mas agora será analisada em definitivo pela Corte.


A preocupação dos municípios produtores é que essa alteração desconsidere o caráter compensatório dos royalties, que existem justamente para equilibrar os impactos territoriais, sociais e econômicos causados pela exploração do petróleo.


Outro ponto de atenção é que, dependendo da decisão do STF, os efeitos podem ser imediatos e até retroativos, agravando ainda mais a situação fiscal dos municípios.


Diante desse cenário, a Prefeitura de São João da Barra reforça que está mobilizada, ao lado de outros municípios produtores e do Governo do Estado, na defesa dos direitos da população. O momento é considerado decisivo, e o resultado desse julgamento poderá impactar diretamente a qualidade de vida da população, a capacidade de investimento do município e o desenvolvimento de toda a região.

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